Deus, um empregado?

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Uma das principais características do novo cristianismo vivido por muitos evangélicos hoje é tratar o Senhor como seu empregado. Isso é tão normal que as mensagens pregadas são voltadas para os interesses humanos e até as canções enfatizam o homem como aquele que chama a atenção para si, o possuidor e determinador de bênçãos, o maioral do universo que brilha no palco, entre outras coisas que todo mundo sabe.

Basta assistir aos muitos programas televisivos ou ouvir as pífias músicas neopentecostais para notificar que essas afirmações são verídicas.


A charge dessa postagem - desenhada por Rafael Koff - mostra como esse sistema de interesses humanos funciona. O Senhor nos manda segui-Lo e servi-Lo não simplesmente pelo que Ele nos proporciona, mas principalmente pelo que Ele é.

Os grandes heróis da fé foram fiéis ao Senhor por Ele ser o Eu Sou, e não só pelo Eu Faço. Só que, nesse sistema, os cristãos da era moderna têm corrido para Jesus a fim de sanar seus problemas e, diferentemente de Daniel - que costumava orar ao Senhor constatemente, independente de sua situação - estes crentes só O buscam quando as necessidades batem à porta.


Além disso, há outro dilema na relação entre o homem e Deus. O simples fato de Deus ser Deus já não é requisito para adorá-Lo, conforme a linha espiritual desses evangélicos. Para os tais, Deus é, de fato, obrigado a fazer a vontade narcisista dos homens se não quiser ser rejeitado por eles.


O normal seria se adorássemos ao Senhor sabendo que as bênçãos são consequências na nossa vida. Mas o que se vê hoje são pessoas correndo para os pés do apóstolo ou os braços do bispo atrás, por exemplo, de uma cura ou de uma vitória financeira, para depois dizerem "Deus é fiel". Fiel Ele é e sempre vai ser. Mas essa pseudoexaltação é mais uma vanglória iludida do que uma adoração em si.


A geração de interesseiros e reivindicadores faz com que as igrejas de âmbito mundial, universal e internacional estejam sempre lotadas. Afinal, Deus tem servido para atender ao povo e depois ser adorado. Não que o Evangelho seja sádico, mas é raro nesse neocristianismo o reconhecimento da cruz, do sofrimento, das lágrimas. As bênçãos, para os cristãos pós-modernos, têm que ser instantâneas, ou Deus não será útil, até porque o lema deles é "seja feita a minha vontade".


É claro que há um Deus nos céus que abençoa e faz o crente prosperar, tal como fez com Abraão. Mas sabemos que, acima das bênçãos e da prosperidade, está a excelência do poder divino, e, além das nossas exigências, estão os nossos sacrifícios e a nossa adoração ao Senhor.


Por fim, Deus continuará sendo o mesmo Deus, mesmo que soframos como Jó ou sejamos abençoados como Abraão. Mas que o nosso foco seja, primeiramente, a adoração, o agradecimento e a perseverança em buscá-Lo. As demais, então, são consequências do Seu amor e cuidado para conosco (Mt 6.33).



A-BD



Extraído do blog Assem-Beréia de Deus.
   
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